4.12.08

"Aproximações etnográficas ao estudo das classes médias" - VIII RAM - GT 3

 
O GT 3 "Aproximações etnográficas ao estudo das classes médias" está recebendo propostas de apresentação de trabalhos para a VIII Reunião de Antropologia do Mercosul (RAM), a realizar-se em Buenos Aires de 29 de setembro a 02 de outubro de 2009.
 
O prazo para envio de resumos é 30 de março de 2009.
 
As propostas devem ser enviadas para os emails dos coordenadores (dekl@terra.com.br , seredvisac@fibertel.com.ar , nicolas.viotti@gmail.com), com cópia para gt_ram2009@unsam.edu.ar.
 
O assunto da mensagem devem incluir apenas o número do Grupo de Trabalho (GT3).



Maiores informações podem ser obtidas no site da VIII RAM:

http://www.ram2009.unsam.edu.ar/index.html#

 

Segue abaixo a proposta do Grupo de Trabalho.



Contamos com sua participação e solicitamos divulgação da chamada!

GT 3: Aproximações etnográficas ao estudo das classes médias



Partindo do crescente interesse que, desde há algumas décadas, as Ciências Sociais vêm revelando pelo estudo das chamadas "classes médias", esse grupo de trabalho pretende promover a discussão sobre os diversos modos de existência da classe média quando se privilegia a abordagem etnográfica. Freqüentemente a noção de classe média foi empregada como uma categoria objetiva e universal, que classificava determinados segmentos da população dos países capitalistas, homogeneizando suas variações empíricas através de critérios selecionados pelo pesquisador, tais como renda, ocupação ou nível de instrução. Assim, levando em conta essa utilização, se apresentam duas dificuldades: por um lado, como é possível que setores tão diversos possam ser unificados sob uma mesma categorias?; por outro, como dar conta da heterogeneidade histórica, social e cultural desses setores?. Em vez de tratar a multiplicidade como um estorvo, o grupo pretende partir justamente dela. Esta é a razão pela qual consideramos que as aproximações etnográficas que tomem seriamente a noção de "classe" permitem analisar-la, efetivamente, como um processo no qual deve se levar a sério tanto formas como conteúdos das noções e práticas nativas.

Sem desconsiderarmos a importância do processo de globalização como difusor de modelos, pautas de consumo e estilos de vida considerados de "classe média", assim como a íntima relação que possuem esses processos com a configuração histórica da noção de classe média nas sociedades, nos interessa aprofundar o diálogo entre reflexões ou pesquisas empíricas que, de algum modo, problematizem a qualidade de "classe média", seja como referência explícita de adscrição, distinção, categoria performativa, habitus, estilos de vida ou valores morais preeminentes em mundos sociais específicos.

Entendemos que para isso é importante considerar uma variedade de espaços sociais de inscrição da experiência das classes médias: economia e consumo, parentesco e família, trabalho, política, etnicidade, religiosidade ou estética, como possíveis vias de acesso a configurações de mais amplo alcance. Por outro lado, buscamos um olhar integrado entre a prática social, as relações sociais e as narrativas sobre classe média nesse âmbito cotidiano, mas também nas manifestações de massa ou eruditas. Dessa maneira, consideramos de fundamental importância a atenção às narrativas presentes na esfera pública, assim como os meios ou as formas de categorização utilizadas entre intelectuais ou especialistas. O papel da etnografia de (ou sobre) classes médias merece uma profunda reflexão sobre o estatuto da relação de conhecimento "próxima", e sobre os acordos entre o etnógrafo e os pesquisados. Dessa maneira, a discussão sobre a construção de dados de campo e objetos de pesquisa deve ser de alta relevância. Por tal motivo, é indispensável promover intervenções que se perguntem sobre essas questões a partir de experiências de campo diversas.

Convocamos, assim, a apresentação de trabalhos de pesquisa interessados em estudar o modo pelo qual as classes médias existem enquanto atividades coletivas concretas, que se constituem ao longo de processos históricos complexos e práticas culturalmente situadas, ainda que econômica e socialmente delimitadas. Esperamos contribuir com o diálogo a partir de uma concepção completa da noção de classe, como resultado de modos de classificação, práticas e relações sociais historicamente constituídas. O grupo de trabalho aspira constituir-se, em suma, enquanto um espaço no qual seja possível estabelecer um diálogo entre as construções teóricas de pretensões universalistas e a pesquisa empírica sobre os diferentes modos de identificação, reprodução, diferenciação prática e simbólica da classe média. Procuramos, sobretudo, que este seja um espaço de intercâmbio entre pesquisadores, buscando dar conta das variadas condições locais, nacionais e temporais da experiência e da redefinição das classes médias.

 

Coordenadores:

Débora Krischke Leitão, Departamento de Antropologia. Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Brasil. dekl@terra.com.br



Sergio Eduardo Visakovsky, Centro de Antropología Social, Instituto de Desarrollo Económico y Social (IDES), Argentina. seredvisac@fibertel.com.ar



Nicolás Viotti, Programa de Pós-graduação em Antropologia Social-Museu Nacional (PPGAS-MN) (Brasil) e Instituto de Desarrollo Económico y Social (IDES)-(Argentina), nicolas.viotti@gmail.com.