Exposição Toque no Museu Bispo do Rosário
- Exposição Toque no Museu Bispo do Rosário
- Rio de Janeiro, de 13 de dezembro a 15 de março de 2009
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- O Museu Bispo do Rosário, no Rio de Janeiro, encerra o ano de 2008 apresentando para o público a exposição Toque. Com curadoria de Wilson Lázaro, a mostra ocupa todos os espaços do museu e reúne trabalhos de 21 artistas de sete países: Ana Esteves (Espanha), Ana Miguel (Brasil), Andréa Brown (Brasil), Arlindo Oliveira (Brasil), Arthur Bispo do Rosário (Brasil), Carmem Calvo (Espanha), Claudio Cambra (Brasil), Elisa Castro (Brasil), Emily Chalmers (Inglaterra), Franko B (Itália), Fung Wah Man (China), Laila Demashiqieh (Jordânia), Leonid Tishlov (Rússia), Louise Bourgeois (França), Maribel Domènech (Espanha), Matthew Barney (EUA), Rodrigo Petrella (Brasil), Sergio Laks (Brasil), Silvio Pinhatti (Brasil), Stella do Patrocinio (Brasil) e Yayoi Kusama (Japão).
- Trabalhando com idéias como o fazer e o desfazer, a sedução e a morte, a mostra reúne obras e artistas que constroem suas poéticas a partir dessas relações de idéias e do contato com o outro. A imagem escolhida pela curadoria para falar dessas questões é a aranha, que de acordo com a mitologia grega surgiu do castigo de Aracne, exímia na tecelagem, que ousou desafiar a deusa Aten. Ela teria sido condenada a repetição eterna, tecendo incessantemente sua teia. É para sua frágil teia, que é construída durante o dia e desfeita durante a noite, que a aranha atrai duas presas, seduzindo-as para depois matá-las. "Tecer é criar. É o esforço de retomar a ligação entre o efêmero e o eterno. Demiurgo aprisionado na repetição que gera a própria obra e banha a sua vida, como ocorre com um artista", aponta Wilson Lázaro.
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- A exposição está dividida em três núcleos. Em Teia estão obras feitas com materiais produzidos pelos próprios artistas, aproximando a criação artística do comportamento da aranha. Elisa Castro (RJ) exemplo, apresenta uma instalação que é um grande bordado feito com fios de cobre pela artista. Localizada a cerca de 50cm do chão, a peça se assemelha a uma grande teia. O trabalho de Andréa Brown [RJ] são cachos cujos fios levam a pontas de dedos. Já Matthew Barney [EUA] apresenta um vídeo onde ele escala um prédio, como um homem aranha. Louise Bourgeios [França] está presente na exposição com gravuras com a imagem de aranhas e um vídeo que registra a artista falando de seu trabalho. Entre as obras inéditas está o trabalho de Maribel Domènech [Espanha], que pela primeira vez vai expor suas experiências recentes reunindo o bordado e a luz elétrica, e o trabalho de Ana Esteves, que passou duas semanas durante o mês de julho no Museu Bispo do Rosário. O trabalho que ela apresenta conta com a participação da população da região onde o museu está localizado. Ela prendeu as pessoas umas às outras e a placas, forçando que elas permanecessem juntas e dessem origem quase a um animal de muitas pernas e braços. O registro fotográfico dessa ação estará na mostra.
- No segmento Envolvimento e Acolhimento, os trabalhos trabalham com a idéia de sedução ou revelam o lado destrutivo que a sedução e a beleza podem ter. Yayoi Kusama [Japão], por exemplo, usa muito brilho em suas imagens. Já o Fung Wah Man [China] trabalha com a sedução através do olhar. Ainda nesse segmento, Silvio Pinhatti [SP] revela o lado efêmero e decadente da beleza com retratos destruídos de Marilyn Monroe, e Rodrigo Petrella [SP] revela uma família que vive dentro de uma caverna, na região Norte do Brasil.
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- Encerra a exposição o segmento Morte. "Esse é um segmento com muitos trabalhos políticos, revelando o fanatismo através da política", aponta Wilson Lázaro. Laila Demashiqieh apresenta uma instalação onde a sala é inteiramente ocupada por fios que se cruzam em vários pontos. Na teia construída pela artista, estão xilogravuras e desenhos que retratam famílias que foram destruídas por atentados e disputas políticas na região da Jordânia. A destruição também é tema das gravuras de Sergio Laks [RJ. Já Franko B [Itália] chega ao limite da própria destruição em seus trabalhos. Na obra apresentada no museu, ele fica bem perto da morte em uma ação, registrada por fotografia, em que ele perde boa parte de seu sangue, usado para pintar bandeiras dos EUA e da Inglaterra.
- Seguindo a proposta do museu de estabelecer diálogos entre a obra de Bispo do Rosário e a produção artística atual, a mostra apresenta obras do ex-interno ao lado da obra dos artistas. "Organizando as ORFAS Objeto Revestido de Fio Azul logo na entrada do espaço expositivo, construímos um labirinto por onde o visitante entra para ver a exposição", explica Wilson Lázaro. Como já vem acontecendo nas exposições anteriores, com o fim da mostra, algumas obras passam a fazer parte do acervo do museu. "Queremos manter um diálogo entre o Bispo, o Museu e a comunidade com a arte atual", completa o curador.
- Data e horário
- Abertura: 13 de dezembro de 2008, sábado, das 15h as 19h
- Temporada: de 13 de dezembro a 15 de março de 2009
- Visitação: de terça a domingo, das 10h as 17h
- Estacionamento grátis no local
- Local
- Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea
- Estrada Rodrigues Caldas, 3400 - Jacarepaguá
- Rio de Janeiro RJ
- Mais informações
- Fone: 21 2446-6628
- Website: www.museubispodorosario.com
"Aproximações etnográficas ao estudo das classes médias" - VIII RAM - GT 3
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- O GT 3 "Aproximações etnográficas ao estudo das classes médias" está recebendo propostas de apresentação de trabalhos para a VIII Reunião de Antropologia do Mercosul (RAM), a realizar-se em Buenos Aires de 29 de setembro a 02 de outubro de 2009.
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- O prazo para envio de resumos é 30 de março de 2009.
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- As propostas devem ser enviadas para os emails dos coordenadores (
dekl@terra.com.br , seredvisac@fibertel.com.ar , nicolas.viotti@gmail.com), com cópia para gt_ram2009@unsam.edu.ar. -
- O assunto da mensagem devem incluir apenas o número do Grupo de Trabalho (GT3).
- Maiores informações podem ser obtidas no site da VIII RAM:
- http://www.ram2009.unsam.edu.ar/index.html#
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- Segue abaixo a proposta do Grupo de Trabalho.
- Contamos com sua participação e solicitamos divulgação da chamada!
- GT 3: Aproximações etnográficas ao estudo das classes médias
- Partindo do crescente interesse que, desde há algumas décadas, as Ciências Sociais vêm revelando pelo estudo das chamadas "classes médias", esse grupo de trabalho pretende promover a discussão sobre os diversos modos de existência da classe média quando se privilegia a abordagem etnográfica. Freqüentemente a noção de classe média foi empregada como uma categoria objetiva e universal, que classificava determinados segmentos da população dos países capitalistas, homogeneizando suas variações empíricas através de critérios selecionados pelo pesquisador, tais como renda, ocupação ou nível de instrução. Assim, levando em conta essa utilização, se apresentam duas dificuldades: por um lado, como é possível que setores tão diversos possam ser unificados sob uma mesma categorias?; por outro, como dar conta da heterogeneidade histórica, social e cultural desses setores?. Em vez de tratar a multiplicidade como um estorvo, o grupo pretende partir justamente dela. Esta é a razão pela qual consideramos que as aproximações etnográficas que tomem seriamente a noção de "classe" permitem analisar-la, efetivamente, como um processo no qual deve se levar a sério tanto formas como conteúdos das noções e práticas nativas.
- Sem desconsiderarmos a importância do processo de globalização como difusor de modelos, pautas de consumo e estilos de vida considerados de "classe média", assim como a íntima relação que possuem esses processos com a configuração histórica da noção de classe média nas sociedades, nos interessa aprofundar o diálogo entre reflexões ou pesquisas empíricas que, de algum modo, problematizem a qualidade de "classe média", seja como referência explícita de adscrição, distinção, categoria performativa, habitus, estilos de vida ou valores morais preeminentes em mundos sociais específicos.
- Entendemos que para isso é importante considerar uma variedade de espaços sociais de inscrição da experiência das classes médias: economia e consumo, parentesco e família, trabalho, política, etnicidade, religiosidade ou estética, como possíveis vias de acesso a configurações de mais amplo alcance. Por outro lado, buscamos um olhar integrado entre a prática social, as relações sociais e as narrativas sobre classe média nesse âmbito cotidiano, mas também nas manifestações de massa ou eruditas. Dessa maneira, consideramos de fundamental importância a atenção às narrativas presentes na esfera pública, assim como os meios ou as formas de categorização utilizadas entre intelectuais ou especialistas. O papel da etnografia de (ou sobre) classes médias merece uma profunda reflexão sobre o estatuto da relação de conhecimento "próxima", e sobre os acordos entre o etnógrafo e os pesquisados. Dessa maneira, a discussão sobre a construção de dados de campo e objetos de pesquisa deve ser de alta relevância. Por tal motivo, é indispensável promover intervenções que se perguntem sobre essas questões a partir de experiências de campo diversas.
- Convocamos, assim, a apresentação de trabalhos de pesquisa interessados em estudar o modo pelo qual as classes médias existem enquanto atividades coletivas concretas, que se constituem ao longo de processos históricos complexos e práticas culturalmente situadas, ainda que econômica e socialmente delimitadas. Esperamos contribuir com o diálogo a partir de uma concepção completa da noção de classe, como resultado de modos de classificação, práticas e relações sociais historicamente constituídas. O grupo de trabalho aspira constituir-se, em suma, enquanto um espaço no qual seja possível estabelecer um diálogo entre as construções teóricas de pretensões universalistas e a pesquisa empírica sobre os diferentes modos de identificação, reprodução, diferenciação prática e simbólica da classe média. Procuramos, sobretudo, que este seja um espaço de intercâmbio entre pesquisadores, buscando dar conta das variadas condições locais, nacionais e temporais da experiência e da redefinição das classes médias.
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- Coordenadores:
- Débora Krischke Leitão, Departamento de Antropologia. Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Brasil.
dekl@terra.com.br
- Sergio Eduardo Visakovsky, Centro de Antropología Social, Instituto de Desarrollo Económico y Social (IDES), Argentina.
seredvisac@fibertel.com.ar
- Nicolás Viotti, Programa de Pós-graduação em Antropologia Social-Museu Nacional (PPGAS-MN) (Brasil) e Instituto de Desarrollo Económico y Social (IDES)-(Argentina),
nicolas.viotti@gmail.com.